Certificados de desempenho energético: Uma ferramenta útil, mas longe de ser consistente
Certificados de desempenho energético: Uma ferramenta útil, mas longe de ser consistente
Eficiência Energética
outubro 2025
Os Certificados de Desempenho Energético (EPC) continuam a ser amplamente utilizados como indicador de eficiência energética em edifícios comerciais. No entanto, uma análise recente da consultora Savills alerta para uma realidade preocupante: os EPC não são comparáveis entre países, nem mesmo entre regiões dentro de um mesmo país.
Na teoria, um EPC classifica um edifício de A a G com base na sua eficiência energética, permitindo comparar imóveis e apoiar decisões informadas de investimento, ocupação e renovação. Na prática, porém, o valor dessa classificação depende fortemente do contexto geográfico e regulatório.
Por exemplo, um imóvel com a classificação mais elevada num país pode receber até quatro notas mais baixas noutro, apesar do desempenho energético idêntico. Esta disparidade não se limita às comparações internacionais. Na Bélgica, por exemplo, o mesmo edifício pode receber a classificação C na Flandres e D ou mesmo F em Bruxelas. Esta fragmentação representa desafios significativos para os investidores e ocupantes que procuram activos sustentáveis, dado que o valor de um selo EPC varia consideravelmente consoante o contexto local.
Embora a Directiva sobre o Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD) revista da UE vise harmonizar os critérios, a Savills alerta que as diferenças locais persistirão dado que as sensibilidades políticas locais, os desafios técnicos, os riscos climáticos e a natureza do parque imobiliário existente significam que os padrões de sustentabilidade variam consideravelmente de uma cidade para outra.
Segundo Sarah Brooks, directora associada da Savills World Research, afirmou que “obter uma vantagem competitiva significa muitas vezes exceder os requisitos nacionais, bem como alinhar com as expectativas das cidades e os planos locais de sustentabilidade a longo prazo. A devida diligência diferenciada é vital”.
Perante este cenário, deve ser adoptada uma abordagem mais robusta, que inclua outros critérios para além dos Certificados de Desempenho Energético quando se trata de avaliar a sustentabilidade e eficiência de um edifício.
OUTRAS NOTÍCIAS
Plataformas de dados e controlo inteligente ao serviço da eficiência energética
Eficiência Energética
EU.BAC coassina carta que insta a UE a manter a "eficiência energética em primeiro lugar" na Lei do Clima
Eficiência Energética
Relatório da AIE explora os múltiplos benefícios da eficiência energética
Eficiência Energética